Como será a escola depois da pandemia?  

Distanciamento físico, ensino híbrido e habilidades socioemocionais, provavelmente, estarão presentes

Pais, gestores escolares, professores, alunos. No momento, uma preocupação é comum a todos: quando as escolas vão voltar a funcionar e como isso vai acontecer? As respostas para esses questionamentos ainda não são claras nem unânimes. Ainda não conseguimos achatar a curva de contaminação do vírus e, por isso, é difícil prever uma data de retorno e, muito menos, uma que seja comum para todos os lugares, visto que nosso país tem dimensões continentais e manifestação da doença é diferente em cada região. Contudo, o que podemos afirmar é: a escola depois da pandemia não será a mesma.
Se a volta às aulas no Brasil acontecer de forma parecida como em outros países, que já estão num estágio mais avançado de recuperação, alguns aspectos serão totalmente diferentes. O primeiro ponto que precisamos ter em mente é que esse recomeço ou essa segunda fase (não podemos falar em “volta ao normal”) não vai acontecer ao mesmo tempo para todos nem será de uma só vez. Além disso, é provável que ocorram mudanças em aspectos pedagógicos e comportamentais e também em nossa visão a respeito do trabalho dos educadores.
O distanciamento físico
Provavelmente, o protocolo de distanciamento mínimo de 1 metro e meio entre as pessoas, que vem sendo seguido em estabelecimentos que estão funcionando durante a pandemia, será estendido às escolas quando elas reabrirem. Se isso acontecer, teremos uma mudança drástica, pois será necessário reduzir pela metade o número de alunos em uma sala.
Ter menos alunos na sala significa que nem todos terão aula no mesmo dia, ou seja, seu filho poderá ir para escola um dia sim, e um dia não, ou até mesmo uma semana sim, e uma semana não. Além disso, as escolas terão que repensar os seus espaços para garantir o distanciamento social em cantinas, corredores, banheiros etc.
O aprendizado remoto não vai acabar
Se nem todos os alunos terão aulas todos os dias, fica claro que o ensino remoto não poderá acabar. Será preciso que as crianças e adolescentes continuem fazendo atividades em casa com o auxílio de videoaulas e outros recursos. O uso da tecnologia durantes este período abriu muitas portas para pensarmos em quando ela é importante e no quanto pode nos ajudar a otimizar processos e aprender de formas diferentes e com mais autonomia
O desnível entre os alunos poderá estar maior
Somos seres humanos e reagimos de maneiras distintas a um mesmo evento. Por isso, precisamos ter em mente que nem todos os alunos estão conseguindo ter o maior aproveitamento da aprendizagem remota. Quando as aulas presenciais voltarem, é esperado que as escolas implementem um plano de recuperação para os estudantes que tiveram um baixo aproveitamento. A carga horária também poderá ser aumentada para recuperar os conteúdos que não puderam ser trabalhados a distância. Todos os alunos talvez tenham que se adaptar a uma jornada de contraturno ou a uma 6ª e até 7ª aulas
Foco maior nas habilidades socioemocionais
Algo que ficou muito evidente nesta quarenta é a importância das habilidades socioemocionais para o nosso desenvolvimento e capacidade de lidar com situações difíceis. As escolas já estão há algum tempo reconhecendo esse valor, abordado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas depois que as aulas presenciais retornarem, é esperado que haja um trabalho ainda maior nessa área.
Como pai ou mãe, é necessário entender que mais do que formar o seu filho academicamente, a escola deve ajudar as crianças e adolescentes a lidar com seus sentimentos, se relacionar bem com os outros, desenvolver a colaboração, a criatividade, o pensamento crítico e a resiliência para enfrentar os desafios da vida. Além disso, é preciso trabalhar a cidadania para que eles cresçam com uma noção maior sobre seu papel no coletivo.
Maior valorização dos educadores e proximidade com a escola
Durante a quarentena, pais e responsáveis puderam ver de perto como o trabalho dos professores é essencial e não é nada simples. É preciso paciência, amor e muita dedicação. Por isso, as chances são altas de que você valorize ainda mais os educadores do seu filho e perceba que as escolas são parte indispensável para o funcionamento da sociedade e que, inclusive, afetam a própria rotina familiar.
A comunicação com a escola e os professores se tornou ainda mais importante e necessária neste período, e a tendência é que ela se aprimore e se mantenha mesmo com o recomeço das aulas presenciais. Uma grande lição que podemos tirar disso tudo é que sem a parceria entre escola e família as coisas não andam e o aprendizado não acontece como deveria. Por isso, precisamos valorizá-la mais do que nunca.
Fonte: Blog Sistema Positivo de Ensino